Cabo de guerra dos rios expõe avanço da cheia no Amazonas

Níveis oscilam entre subida e vazante nas calhas, enquanto enchente já afeta mais de 100 mil pessoas no estado.
Foto: Reprodução internet

12/04/2026, domingo

Manaus (AM) 09/04/2026 - Abril escancara um Amazonas puxado por correntes opostas. Enquanto parte dos rios avança, outra recua, formando um verdadeiro cabo de guerra sobre as águas.
Em Manaus, o rio Negro voltou a subir e alcançou 25,81 metros nesta quinta-feira (9). A elevação foi de 4 centímetros em 24 horas.
O comportamento mantém a capital em alerta, embora ainda distante de marcas mais extremas já registradas para o mesmo período.
Em comparação com anos anteriores, o nível atual fica abaixo de 2021 e 2022, quando o rio nesta data chegou a 27,70 metros. Em 2025, estava em 26,36 metros.
Ainda assim, o ritmo de subida indica continuidade da enchente.
No alto Solimões, o cenário segue inverso.
Em Tabatinga, o rio Solimões recuou 3 centímetros nas últimas 24 horas, atingindo 10,97 metros. Ao longo do mês, o movimento é de queda gradual.
Desde o dia 1º de abril, quando marcava 11,11 metros, o rio vem perdendo força, indicando desaceleração na cabeceira da bacia.
Já no médio Solimões, o comportamento muda novamente.
Em Anamã, o rio segue em subida contínua e chegou a 14,67 metros. A elevação foi de 1 centímetro no último dia.
O nível ainda está abaixo da cota de alerta, fixada em 15,40 metros. A inundação começa em 16,47 metros.
Em 2025, a cheia atingiu 17,13 metros, referência que ainda orienta o monitoramento deste ano.
O reflexo desse avanço aparece também no lago Tefé.
Entre os dias 7 e 8 de abril, o nível subiu 1 centímetro e chegou a 17,84 metros. Nos últimos 15 dias, a elevação é contínua.
Desde 24 de março, quando marcava 17,55 metros, o lago acumula alta progressiva, acompanhando o pulso do Solimões.
Amazonas
Na calha do rio Amazonas, o movimento também é de subida.
Em Itacoatiara, o rio avançou 5 centímetros e atingiu, neste dia 9 de abril, 12,17 metros. O dado reforça a tendência de elevação no trecho central do estado.
Já o rio Madeira segue em sentido contrário.
Em Porto Velho (RO), o nível baixou 3 centímetros e chegou a 14,75 metros, indicando vazante na região sul da bacia amazônica.
Consequências
Esse mosaico de comportamentos distintos se reflete diretamente nos municípios.
Segundo o Governo do Amazonas, em boletim divulgado nesta quarta-feira, 8 de abril, 12 cidades já estão em situação de emergência: Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Boca do Acre, Canutama, Carauari, Eirunepé, Itamarati, Juruá, Lábrea, Santo Antônio do Içá, Tabatinga e Tapauá.
Outros 7 municípios estão em alerta, enquanto 24 permanecem em atenção.
Ao todo, somente 19 cidades seguem em normalidade.
A cheia já afeta 100.935 pessoas em todo o estado.
Diante do cenário, o governo iniciou ações emergenciais, como envio de purificadores de água e medidas de crédito para reduzir impactos econômicos.
O monitoramento segue contínuo, com acompanhamento diário dos níveis dos rios e das condições das comunidades atingidas.
Abril ainda está longe do fim. E, no Amazonas, cada centímetro conta.

Fonte: BNC Amazonas


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